"Batalha Oroboro", espetáculo de marionetes de fio une a cultura hip-hop à tradição sertaneja

O que aproxima uma jovem MC de São Paulo de um mestre repentista do Nordeste? A companhia Pequeno Teatro do Mundo responde a essa pergunta em apresentações diárias de seu mais novo espetáculo “Batalha Oroboro”, que destaca a força da palavra improvisada. Inspirada nas batalhas de rima contemporâneas e nos embates de repente — com referências históricas a figuras como Cego Aderaldo —, a montagem marca um momento especial na trajetória do grupo ao ser direcionada especificamente ao público jovem e adulto, distanciando-se do foco infantil anteriormente priorizado pelas agendas da companhia.

A narrativa apresenta o encontro entre Lyz, uma jovem MC cega — sigla para Mestre de Cerimônias, que utiliza o ritmo do rap como base para suas rimas —, e seu avô, um poeta repentista que migrou para a capital paulista. As marionetes de fio, manipuladas pelos artistas Fábio Retti e Fabiana Vasconcelos Barbosa, transformam o palco em um espaço onde tradição e contemporaneidade duelam e se abraçam. A peça evidencia como a urgência da poesia e o desafio do improviso atravessam gerações, embora em estilos e territórios distintos.

Para Barbosa, cofundadora da companhia, as ações em São Paulo coroam uma jornada de democratização do acesso à arte e à cultura. “Nossa proposta com 'Batalha Oroboro' é encurtar distâncias. Além das apresentações gratuitas na capital paulista, o espetáculo também terá sessões e ensaios abertos em teatro e em escolas da rede pública da cidade de Bragança Paulista (SP). É fundamental que esse diálogo entre o rap e o repente chegue tanto aos espaços cênicos quanto a ambientes de educação formal para estimular novas perspectivas sobre o hip-hop”, reflete.

Pesquisa e inclusão
“Batalha Oroboro” resulta do projeto “Do Rap ao Repente — Uma Pesquisa Geracional”, idealizado e realizado pelo grupo Pequeno Teatro do Mundo, de Bragança Paulista. A iniciativa conta com o fomento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Ministério da Cultura e Governo Federal, além do apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e do Programa de Ação Cultural (ProAC).

Para dar vida aos personagens, a equipe mergulhou em um processo profundo que incluiu uma residência artística no Cariri (CE) com mestres da cultura sertaneja sobre o repente, sob a supervisão de Dane de Jade, além de orientação sobre a cultura hip-hop com Roberta Estrela D’Alva, do núcleo Bartolomeu de Depoimentos, e composições do rapper Dextape Emece. Um artista cego e um jovem talento integraram a equipe de criação e dramaturgia, conferindo ainda mais autenticidade à abordagem sobre a cegueira e a cultura urbana.

Pequeno Teatro do Mundo

Com mais de 10 anos de estrada e seis espetáculos no repertório, entre óperas e números circenses apresentados em todo o país, a companhia Pequeno Teatro do Mundo, de Bragança Paulista (SP), é reconhecida por percorrer desde grandes teatros e festivais nacionais até escolas, asilos e comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas. Através da técnica apurada das marionetes de fio, o grupo busca criar memórias afetivas e abordar temas sensíveis que inspirem públicos de todas as idades e contextos sociais.

Serviço
Espetáculo “Batalha Oroboro”
Data e hora: 9, 10 e 11 de abril de 2026, às 20h, e 12 de abril, às 18h
Local: Espaço Sobrevento
Rua Cel. Albino Bairão, 42 — Belenzinho, São Paulo
Ingressos: entrada gratuita; reservas via WhatsApp: (11) 97089-0051 (Júlia)
Acessibilidade: tradução em Libras em todas as sessões.
Classificação: 12 anos

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Claudê Lopes

Baiano de Itiúba, radicado em São Paulo há mais de 30 anos. Jornalista, Pesquisador Musical, Produtor e Editor de conteúdo, Consultor Musical, Roteirista, Redator e Diretor de programa, Web Designer. @claudelopes70

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