“Oleanna” de David Mamet estreia com os atores Velson D’ Souza e Julianna Gerais

Estreia no dia 10 de abril no Espaço de Convivência do Teatro Vivo o espetáculo “Oleanna” de David Mamet com Velson D’Souza e Julianna Gerais com direção de Daniela Stirbulov. Considerado um dos clássicos do teatro contemporâneo, a obra de Mamet teve a primeira montagem no Brasil há 30 anos, em 1996, protagonizada pelos atores Antônio Fagundes e Mara Carvalho.

 
"Oleanna" narra o confronto entre John, um professor universitário no processo de obtenção de uma promoção, e Carol, uma de suas alunas com dificuldades no curso. Inicialmente, Carol procura John no seu escritório para pedir ajuda com o seu entendimento do material do curso. A dinâmica muda drasticamente quando Carol apresenta uma queixa formal contra John ao comitê de avaliação da universidade, acusando-o de sexismo, elitismo, comportamento inadequado e assédio sexual, com base nas suas conversas particulares e atitudes.
 
Confrontado com a potencial perda da sua carreira, John tenta desesperadamente entender as acusações e convencer Carol a retirar a queixa, expondo a fragilidade da comunicação, as complexas relações de poder entre professor e aluno e as interpretações radicalmente divergentes dos mesmos eventos.
 
A peça envolve o público na cena, levantando questões difíceis sobre o que constitui assédio ou abuso de poder. Enquanto as discussões sobre agressão sexual e assédio frequentemente giravam em torno de acusações de que um lado estava mentindo ou exagerando, em “Oleanna”, o público tem acesso a todas as interações privadas entre o acusador e o acusado. Assim, o público pode tirar suas próprias conclusões, tendo em vista que todos os fatos são apresentados a ele sem cortes.
 
A obra destaca também um debate contínuo sobre as normas do "politicamente correto". Exatamente o que acontece atualmente na nossa sociedade: aqueles que se opõem ao “politicamente correto” veem essas normas como punitivas e arbitrárias, enquanto defensores do “politicamente correto” as consideram diretrizes úteis para evitar que qualquer grupo de pessoas se sinta indesejado ou desconfortável. A versão do “politicamente correto” de Carol está relacionada à igualdade de mulheres e pessoas economicamente desfavorecidas no contexto da universidade.
 
“Oleanna” parte da premissa de que as grandes tensões contemporâneas — poder, comunicação, cancelamento, abuso e interpretações subjetivas da verdade — se manifestam não apenas nos discursos públicos, mas, principalmente, nos encontros privados. A montagem propõe um dispositivo frontal e tensionado: duas plateias dispostas em corredores opostos, frente a frente, tendo o espaço da ação no centro. O público não observa apenas, ele é observado. Cada espectador se torna também paisagem do olhar do outro.
 
A configuração espacial radicaliza a pergunta central da dramaturgia de David Mamet: quantos lados podem ter uma mesma verdade? Ao acompanhar o embate entre professor e aluna dentro de uma universidade, a plateia é deslocada da posição confortável de observadora para a de júri silencioso.
 
Inserido no campo de tensão entre as duas personagens, o público testemunha a escalada do conflito quase como prova material, sendo constantemente provocado a revisar suas próprias percepções, certezas e julgamentos. Ao ver e ser visto, o espectador é convocado a reconhecer a fragilidade das narrativas e o peso das interpretações.
 
Nesta encenação, o espaço alternativo não é apenas cenário: é argumento. A arquitetura da sala se torna metáfora viva da polarização: dois lados que se encaram, dois discursos que disputam legitimidade, duas verdades que reivindicam razão.
 
“Oleanna, de David Mamet, questiona quantos lados pode ter uma mesma verdade. Em uma encenação imersiva para 50 pessoas, duas plateias frente a frente transformam o público em um júri silencioso, posicionado no centro da tensão. A arquitetura da sala torna-se metáfora da polarização, onde cada espectador também é observado pelo outro. Radicalizamos a discussão sobre a fragilidade da comunicação e as relações de poder dentro de um sistema educacional. Uma experiência cênica visceral que confronta certezas e desloca perspectivas”, conta a diretora Daniela Stirbulov.
 
Ficha Técnica:
Texto: David Mamet
Tradução: Velson d’Souza
Direção: Daniela Stirbulov
Elenco: Velson D’Souza e Julianna Gerais
Assistente de direção: Enzo Malaquias
Direção de produção: Fabio Camara
Cenografia: Carmem Guerra
Adereços: Rebeca Oliveira
Figurino: Allan Ferc
Iluminação: Fran Barros
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Design gráfico: Enzo Malaquias
Mídias sociais: Carolina Romano
Fotos: Caio Gallucci
Produção: Braza Produções e Lugibi Produções
Realização: Braza Produções e Espaço Co.Lab
Idealização: Velson D’ Souza
 
SERVIÇO:
LOCAL: Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro). 40 lugares
DATA: 10/04 até 07/06 (Sexta e sábado 20h e domingo 18h).
INFORMAÇÕES: 11 3430 1524
VENDAS PELA INTERNET: sympla.com.br
DURAÇÃO:  70 min
CLASSIFICAÇÃO:  14 anos
 
Equipe:
David Mamet (autor)
Renomado dramaturgo, roteirista e diretor norte-americano, amplamente reconhecido por seu estilo único e incisivo que transformou o teatro e o cinema. Nascido em Chicago, Illinois, Mamet começou sua carreira no teatro experimental, escrevendo peças que se destacavam pelo diálogo afiado, realista e carregado de tensão emocional. Ele ganhou destaque com obras como American Buffalo (1975) e Glengarry Glen Ross (1984), esta última vencedora do Prêmio Pulitzer de Drama. Mamet também construiu uma carreira de sucesso no cinema, escrevendo roteiros icônicos como The Verdict (1981), além de dirigir filmes como House of Games (1987). Seus trabalhos frequentemente exploram temas como poder, moralidade e a luta pela sobrevivência em um mundo competitivo, sempre com uma visão cínica e uma escrita precisa. Ele desenvolveu o chamado “Mamet speak”, um estilo caracterizado por diálogos curtos, ritmados e repletos de subtexto. Além de sua obra teatral e cinematográfica, Mamet é autor de livros sobre dramaturgia e narrativa, incluindo On Directing Film (1992) e True and False (1999), que oferecem insights sobre o ofício de contar histórias e os desafios da atuação. Seu impacto no teatro contemporâneo e no cinema é inegável, influenciando gerações de escritores, diretores e atores no mundo todo.
 
Daniela Stirbulov (diretora)
Mestre em Direção Teatral pela University of Essex (Londres), graduada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo e formada pelo Núcleo Experimental de
Artes Cênicas do SESI. Faz parte da Young Vic’s Directors Network. Atualmente assina a direção do clássico O Mercador de Veneza, de Shakespeare, com Dan Stulbach, em cartaz no Sesc. Outros projetos como diretora, assistente de direção e diretora residente incluem Tom Jobim, o Musical, Cabaret – Kit Kat Club, Ney Matogrosso – Homem com H, Silvio Santos Vem Aí – Uma Comédia Musical, It’s Me: Elton, João e Maria – O Musical, O Mágico Di Ó, Heathers e Menino Maluquinho, o Musical, entre outros. É sócia-fundadora do Espaço Co.Lab, onde coordena grupos de estudos. Recebeu prêmios como o ACESC (Melhor Direção e Melhor Espetáculo) e o APCA (Melhor Elenco).
 
Velson D’ Souza (ator)
Formado em Cinema pela FAAP e com Mestrado em Interpretação pela The New School for Drama (antigo Actor's Studio) em Nova Iorque. Escreveu, dirigiu e produziu o curta-metragem "Annie", vencedor do prêmio de melhor filme de terror do Berlin Flash Film Festival e semifinalista do Los Angeles CineFest. É co-fundador e jurado do concurso anual de roteiro "Blue Draft Screenwriting Contest". Produziu a antologia cinematográfica "Fear Anthology", e o curta-metragem "Therapy", seleção oficial dos festivais HollyShorts, New York Short Film Festival, Miami Independent Film Festival, Berlin Flash Film Festival e Top Indie Film Awards. Foi crítico de cinema para o Jornal OPEN, distribuído pelo Estado de S. Paulo durante o ano de 2007. No Teatro, Velson produziu os espetáculos “O Colecionador” de John Fowles e Mark Healy, “Dois Irmãos” de Fausto Paravidino, o musical “A Sessão da Tarde Remix”, e o projeto de comemoração de 10 anos da Companhia de Teatro Rock “Na Garagem” no ano de 2011. Como ator, trabalhou em quatro longas-metragens Americanos e na série da Netflix "Master of None". No teatro americano, teve papéis de destaque em três espetáculos Off-Broadway, incluindo "A Gaivota" de Tchekhov e fez parte da leitura do texto teatral "This is our Youth" de Kenneth Lonergan, ao lado do ator Mark Ruffalo. No Brasil, atuou em mais de trinta espetáculos teatrais e trabalhou nas novelas “Cidadão Brasileiro" da Record, e "Cristal", "Revelação", "Vende-se um Véu de Noiva", "A Infância de Romeu e Julieta", do SBT. Viveu o papel de Silvio Santos no musical "Silvio Santos Vem Aí", e atualmente faz a série "Paulo, O Apóstolo" da Record.
 
Julianna Gerais (atriz)
Formada em Artes Cênicas pela Escola Superior de Artes Célia Helena e cursou a Escola de Artes Dramáticas da USP (EAD/ECA/USP). Em 2018 iniciou sua carreira no audiovisual, protagonizando trabalhos importantes como os filmes "A Batalha da Rua Maria Antônia" (2025), dirigido por Vera Egito (vencedor do prêmio de melhor longa de ficção no Festival do Rio 2023), "13 Sentimentos" (2024), dirigido por Daniel Ribeiro, "Dente por Dente" (2020), dirigido por Júlio Taubkin e Pedro Arantes, "Selvagem" (2019), dirigido por Diego da Costa e, as séries "Dias Perfeitos", dirigida por Joana Jabace (previsão para 2025, na Globoplay), "Últimas Férias" (2023), dirigida por Daniel Lieff para o StarPlus e "Todxs Nós" (2020), dirigida por Vera Egito e Daniel Ribeiro para HBO. Tendo o teatro como sua base, integrou o elenco da peça "Levante", dirigida por Eliana Monteiro (2024-2025). Realizou a primeira temporada de "Krokchips", peça infantil dirigida por Geraldo Rodrigues (2018) e foi atriz e dramaturga da peça performática "Ode às Planárias – Ensaios Síssifo", dirigida por Alice Nogueira, apresentada no MAM, no evento ONU HeForShe (2017). Como comunicadora, foi Audiodescritora no 45º Festival Sesc Melhores Filmes e apresentadora do podcast "Aprendiz Legal", para o canal Futura (2021). Em 2025, trabalhou como roteirista ao lado de Vera Egito, Priscila Sztejnman e Cris Lisbôa em um projeto para a Netflix e, atualmente, integra o elenco de uma nova série da plataforma — ainda em sigilo
 
 
Vivo Cultura:
 
Considerada uma das principais marcas apoiadoras da cultura no Brasil, a Vivo investe nas artes visuais, cênicas e na música para ampliar e democratizar o acesso dos brasileiros à cultura. Isso porque a empresa acredita no poder da tecnologia para potencializar o alcance das iniciativas culturais e contribuir para a transformação social por meio da arte.  Além de apoiar a circulação de espetáculos culturais por todo país, a Vivo possui o Teatro Vivo em São Paulo, que em 2024 promoveu 10 espetáculos, vistos por mais de 50 mil pessoas, e incentiva importantes equipamentos culturais, como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Pinacoteca de São Paulo, MASP, MIS São Paulo, Instituto Inhotim, Museu Oscar Niemeyer e MAM- São Paulo. Todas as suas iniciativas buscam ampliar o acesso ao conhecimento com novas formas de vivência e aprendizado, fortalecidas nos aspectos de diversidade, inclusão, coletividade e educação.

 

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Claudê Lopes

Baiano de Itiúba, radicado em São Paulo há mais de 30 anos. Jornalista, Pesquisador Musical, Produtor e Editor de conteúdo, Consultor Musical, Roteirista, Redator e Diretor de programa, Web Designer. @claudelopes70

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